A arqueologia do efêmero - Quando se lida com pólen microscópico e não fósseis monumentais.
A história é escrita pelos pequenos detalhes. Sempre vai haver grandiosidade na pequenez. Assim como os pequenos eventos definem os grandes e moldam os acontecimentos do mundo, podemos nos ater hoje aos pequenos episódios que, por mais sutis e carregados de discrição que possam ser, são tatuados na nossa memória. De modo que, o elixir que te energiza para seguir em frente através de uma motivação nostálgica ou o veneno que te corrói eternamente como um ácido invisível, tem a mesma fonte. Não são as memórias de grandes acontecimentos, mas sim a dos pequenos detalhes que jamais deixam de te acompanhar. A força das pequenas recordações está justamente na sua aparente insignificância. Elas não são combatidas. Não são diluídas pela austereza de um luto declarado que usamos para enfrentar nossas maiores tragédias. A sutiliza das memórias secundárias não se apresenta para nós como o buraco no céu que figurativamente vemos ao vivenciar nossas lástimas mais mar...