As histórias que definharam na soleira da existência
Há, dentro de nós, uma imensa biblioteca. Nela, estão todos os livros que nós nunca escrevemos. Lá estão os romances que começamos e abandonamos, os poemas que ficaram apenas no rascunho, aqueles projetos que nunca nem foram para o papel. São milhares, talvez até milhões de páginas, todas em branco, todas ainda por preencher. Mas, no entanto, cada uma delas tem um título, tem uma sinopse que morreu na intenção . Essas histórias são a nossa grande expressão paradoxal, elas existem mesmo não existindo. Esta biblioteca é o cemitério dos nossos sonhos. Cada livro não escrito é um sonho que morreu antes mesmo de nascer. Uma ideia que tivemos e simplesmente não desenvolvemos, uma história que imaginamos, mas nunca contamos. Morreram por preguiça, por medo, covardia, falta de tempo, ou até mesmo aquele choque letárgico que nos bate eventualmente...