A Insurgência Poética Contra o Infinito
A virada de um ano para outro, em
termos pragmáticos, não é nada. Apenas mais um dia passado, apenas uma volta completa
em volta do astro no nosso sistema
planetário, uma volta contada a partir de um ponto imaginário que nós mesmos
criamos e atribuímos uma lógica e um significado. A passagem de um ano para o
outro, na prática não é nada, é apenas um símbolo. Mas símbolos podem ser a
coisa mais poderosa que existe.
Vivemos
em um universo que nos ignora, que nos impõe algumas poucas leis, mas que não
nos explica nada. Dentro das nossas mentes, onde temos nosso próprio microverso
particular, sobre o qual sim nós temos algum controle, onde reina nossa própria
subjetividade, tudo e qualquer coisa tem o valor que nós quisermos atribuir.
Sendo assim, símbolos podem significar desde o nada até o tudo.
Se
para a totalidade da existência a contagem de uma volta completa desse pequeno
pedaço de pedra espacial, entorno desse astro, que eternamente o mantém em seu
campo gravitacional não significa nada. Para os pequenos habitantes conscientes
dela, pode significar tudo, pois eles escolhem o valor que tudo e qualquer
coisa tem na perspectiva deles. Essa é a nossa maneira de responder à irrelevância
que o infinito nos atribui.
Use
o símbolo da virada de ano da forma que bem entender. Encare como um novo
capitulo na história da sua vida. Que pode ser triste, feliz, empolgante,
entediante ou o que quer que seja. Use ele como motivação para mudar isso ou
para persistir naquilo. Não importa. No
seu próprio universo quem decide a significação de tudo é você.
Nós
já falamos aqui sobre a insignificância da vida individual, sobre a armadilha
sofrida que é amar, sobre a causa perdida da felicidade, sobre o empreendimento
fracassado da esperança e sobre a certeza do arrependimento. Mas mesmo assim.
Viva com toda a plenitude que puder, ame com todas as forças que tiver, busque
a felicidade a todo custo, mantenha suas esperanças vivas e não se arrependa de
nada. Acima de tudo, faça o que quiser. Afinal de contas, é essa teimosia cósmica
diante do infinito que nos torna humanos.
Você
pode ser irrelevante para o resto da existência, mas no seu microuniverso
pessoal, você é a peça central.
Comentários
Postar um comentário