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Mostrando postagens de dezembro, 2025

A Insurgência Poética Contra o Infinito

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                         A virada de um ano para outro, em termos pragmáticos, não é nada. Apenas mais um dia passado, apenas uma volta completa em volta do astro no   nosso sistema planetário, uma volta contada a partir de um ponto imaginário que nós mesmos criamos e atribuímos uma lógica e um significado. A passagem de um ano para o outro, na prática não é nada, é apenas um símbolo. Mas símbolos podem ser a coisa mais poderosa que existe.                 Vivemos em um universo que nos ignora, que nos impõe algumas poucas leis, mas que não nos explica nada. Dentro das nossas mentes, onde temos nosso próprio microverso particular, sobre o qual sim nós temos algum controle, onde reina nossa própria subjetividade, tudo e qualquer coisa tem o valor que nós quisermos atribuir. Sendo assim, símbolos podem significar desde o nada até o tu...

A pronúncia da criação por um grão de areia

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  Em um deserto vasto e silencioso, sob um céu coalhado de estrelas antigas, um único grão de areia, ínfimo e insignificante, é atingido por um raio de luz lunar. Nesse instante preciso, ele não é apenas sílica e poeira, mas um microcosmo, um altar. Ele carrega em sua estrutura atômica a memória de todas as explosões estelares que forjaram os elementos de sua existência mínima. Ele é o resíduo final de um gigante que morreu, uma herança cósmica solidificada. E quando a luz o toca, ele não reflete, mas  relembra . É como se, por uma fenda microscópica na realidade, todo o esquecido rumor da criação, todo o imenso e incompreensível projeto do universo, se concentrasse naquela partícula ínfima. O grão, então, não pensa, não questiona, ele simplesmente  é , com uma intensidade tão absoluta que se torna um receptáculo onde a matéria e a eternidade se fundem. Esse é o momento da pronúncia. Não um som que ecoa os ouvidos, mas uma verdade que se desdobra em silêncio, uma epifan...