Postagens

Mostrando postagens de março, 2026

As histórias que definharam na soleira da existência

Imagem
                    Há, dentro de nós, uma imensa biblioteca. Nela, estão todos os livros que nós nunca escrevemos. Lá estão os romances que começamos e abandonamos, os poemas que ficaram apenas no rascunho, aqueles projetos que nunca nem foram para o papel. São milhares, talvez até milhões de páginas, todas em branco, todas ainda por preencher. Mas, no entanto, cada uma delas tem um título, tem uma sinopse que morreu na intenção . Essas histórias são a nossa grande expressão paradoxal, elas existem mesmo não existindo.             Esta biblioteca é o cemitério dos nossos sonhos. Cada livro não escrito é um sonho que morreu antes mesmo de nascer. Uma ideia que tivemos e simplesmente não desenvolvemos, uma história que imaginamos, mas nunca contamos. Morreram por preguiça, por medo, covardia, falta de tempo, ou até mesmo aquele choque letárgico que nos bate eventualmente...

O esplendor do fim: sobre aprender a morrer como as folhas.

Imagem
              Chegou o outono, e as folhas morreram. Mas a morte delas se deu de uma forma tão bela e sublime que nem parece a materialização da ideia que nós temos sobre morte. Parece mais com uma festa. Uma festa na qual a anfitriã e protagonista veste-se de um vestido dourado e dança pelo ar, enquanto canta seu último adeus, até tocar o chão. E cobre esse chão com um tapete de beleza digna do mais esplêndido castelo, habitado pela maior das rainhas, a mãe natureza. As folhas celebram a sua própria morte e, fazendo isso, dão ao mundo a sua maior lição: Como morrer com dignidade.             Nós não sabemos morrer. Agarramo-nos à vida com unhas e dentes, negamos sua finitude até que o fim, de fato chega. Nos envergonhamos da velhice, da maior expressão de passagem do tempo, da vida vivida. Escondemos nossas rugas, pintamos nossos cabelos, mentimos para nós mesmos. Fazem...