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Mostrando postagens de julho, 2025

Que cor o céu tinha no dia em que você parou de olhar pra cima?

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      Era um azul diferente. Nem mais claro, nem mais escuro. Apenas diferente. Como se fizesse parte de uma paleta de cores única. Uma paleta de cores que não pertencia aos olhos dos homens ou das mulheres, mas sim ao divino, à natureza, apenas àquele instante. Era uma cor que pintores nunca conseguiriam reproduzir. Como se o próprio Deus tivesse diluído safiras no alvoroço do amanhecer. Aquele azul não era para o mundo, não era para ninguém além de você. Pois, por mais que não tenha percebido, aquele dia era único, era seu.     Nem sempre a realidade chega com um baque, normalmente ela vem de forma lenta, de modo que nem se percebe quando ela chegou. Um dia você ainda possui algum grau de inocência a ponto de se permitir ser uma pessoa sonhadora. Um dia até os sonhos mais impossíveis são tão genuinamente tangíveis na nossa perspectiva que, quando isso vira memória, nos custa a acreditar que um dia já acreditamos.     Nesse dia o céu tinha uma co...

Solidão Cósmica: O silêncio do Universo como resposta definitiva à nossa necessidade de diálogo

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           Solidão Cósmica          O silêncio do Universo como resposta definitiva à nossa necessidade de diálogo           Há algumas reflexões que são um pouco difíceis de serem feitas. Aparentemente, o ceticismo é algo não natural à essência humana e, por isso, é muito difícil aplica-lo de forma efetiva na maioria das pessoas quando se vai pensar sobre determinadas questões um tanto mais vitais. Afinal de contas, quando nos livramos de nossas crenças e de nossos sentimentos, podemos observar o universo que nos rodeia de uma forma absolutamente pragmática, de uma forma seca, curta e grossa. De uma forma assustadora.          Afinal de contas, admitindo o paradoxo de citar o abandono de crenças e mencionar uma passagem bíblica no mesmo texto, do pó viemos e ao pó retornaremos. Essa concepção vai de total encontro ao que eu gostaria de falar hoje. Essa visão revela uma verdade ...

Entre Eros e Thanatos

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    Eu já falei um pouco aqui sobre as diferenças primordiais entre paixão e amor. Posteriormente, pretendo escrever de forma mais aprofundada sobre esse segundo tema. Mas hoje chegou a vez de falar sobre paixão. Sobre isso que pode nos levar ao céu e ao inferno quase que simultaneamente. Isso que mais parece um adoecimento mental, ou uma espécie de transe hipnótico. Que nos tira total e completamente a razão e o bom senso. Uma mistura por vezes bonita e por vezes horrível de prazer e sofrimento.     Fala-se muito do amor, quando na verdade trata-se de apenas paixão. Ambos são sentimentos, isso é óbvio, e na condição de sentimentos, não podem ser quantificados ou qualificados, dando ao que vos fala uma licença quase poética para conjecturar aquilo que bem entender a respeito do seu entendimento sobre o tema. Mas no que tange esses dois sentimentos, um é de fato mais racionalizado que o outro, um deles é mais domesticável, enquanto o outro é mais selvagem por assim di...