Solidão Cósmica: O silêncio do Universo como resposta definitiva à nossa necessidade de diálogo

         Solidão Cósmica

        O silêncio do Universo como resposta definitiva à nossa necessidade de diálogo


        Há algumas reflexões que são um pouco difíceis de serem feitas. Aparentemente, o ceticismo é algo não natural à essência humana e, por isso, é muito difícil aplica-lo de forma efetiva na maioria das pessoas quando se vai pensar sobre determinadas questões um tanto mais vitais. Afinal de contas, quando nos livramos de nossas crenças e de nossos sentimentos, podemos observar o universo que nos rodeia de uma forma absolutamente pragmática, de uma forma seca, curta e grossa. De uma forma assustadora.

        Afinal de contas, admitindo o paradoxo de citar o abandono de crenças e mencionar uma passagem bíblica no mesmo texto, do pó viemos e ao pó retornaremos. Essa concepção vai de total encontro ao que eu gostaria de falar hoje. Essa visão revela uma verdade difícil e amarga de se tragar: a única coisa que se compara ao tamanho da infinitude do universo é a nossa total insignificância perante ele.

        Desde que o mundo é mundo e nós, enquanto humanidade, pusemos os pés nesse planeta, recebemos uma mensagem latente do universo. Todas as noites, basta olhar para cima para perceber a vastidão desconhecida que nos rodeia. Para contemplar o infinito do cosmos e perceber que há TANTO para além de nós.     

        Fazendo o uso da licença poética e filosófica, posso afirmar que, do meu ponto de vista, Copérnico não estava totalmente correto, assim como os que vieram antes dele também. Não há como se mensurar algo infinito, o ponto de partida vai ser o observador. Então a terra não gira em torno do sol, ela gira em torno de cada indivíduo. A terra é aquilo que te rodeia e está embaixo dos seus pés. Da sua perspectiva, o Sol, a Lua e os demais planetas desse sistema giram em torno de você. E não para por ai. O universo é tudo aquilo que te rodeia, então do ponto de vista de espectador, de observador, você está no centro do universo.

        Se sentiu importante com essa perspectiva? Não se sinta. A mensagem é intencionalmente maliciosa e feita para te enganar. Isso tudo não serve para reforçar a sua ou a nossa importância autodeclarada. A realidade dessas afirmações é que: Eu, você, nós não somos nada. Nós somos grãos de areia no fundo do oceano. Não podemos nem nos considerar como aquele tipo que tem o privilégio de estar em uma praia. Nós somos partículas de um cosmos vasto e infinito que torna nossa existência nele a maior expressão da irrelevância.

        Do pó viemos e ao pó retornaremos. Nós estamos aqui desde sempre, e estaremos aqui para sempre. A matéria que compõe seu corpo existe desde a criação do universo, a energia que te mantém vivo, que provoca sua sinapses e te torna um ser pensante, é ainda oriunda do big bang. Nós sempre fomos pó, junções de pó feitas ao acaso, combinadas com a energia certa e de cuja combinação ao passo de um tempo quase incontável chegou nessa forma que se apresenta hoje como "eu" e "você". Mas nós, essa forma é temporária. Nós somos uma combinação temporária de fragmentos do universo que logo se dissipa, como ondas em um mar eterno.

        Afinal de contas, se você olhar para o mar e prestar atenção, pode reparar nas ondas. Você vê a onda se formando, vê ela crescendo, até quebrar, terminar na praia e voltar ao mar. Você viu a onda, ela existiu. Você não vê mais a onda, mas a água que a compunha ainda está ali. A onda foi somente uma forma de ser que a água do mar teve, por um tempinho. Assim sonos nós com o o universo. Apenas uma pequena e exígua forma dele de ser, em um determinado tempo e determinado lugar e logo voltaremos para sua infinitude para que ele possa gerar outras formas.

        Reflita sobre isso só por um momento. Se encante com isso, se assuste com isso, fique triste, apreensivo, ou o que quer que sinta ou deseje sentir. Não importa, nada importa, você não importa. Diante do infinito, nós não somos nada. Então que apenas aproveitemos nossa solidão cósmica da melhor maneira que encontrarmos. Buscar sentido para a existência é uma missão sem sentido, mesmo por que nada tem sentido. O silêncio do universo é a única resposta definitiva que vamos ter para a nossa necessidade de diálogo.





        

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